Titulo: Queimada viva
Autor: Souad
Edição: 12ª edição
Souad é uma mulher nascida no Cisjordânia que no livro “Queimada Viva” conta a história da sua vida até aos 30 anos. Ela nasceu numa aldeia interior do seu pais onde a cultura predominante humilha as mulheres, usadas apenas como um “instrumento” para ter filhos e arrumar a casa. Durante a sua infância ela e as suas irmãs foram maltratadas, e nunca foram autorizadas a fazer nada do que queriam pelo pai, enquanto o seu irmão vivia como um rei: saia quando queria e nunca foi obrigado a trabalhar. Mesmo assim Souad gostava muito do seu irmão.
Durante o livro, Souad, conta muitos episódios marcantes da sua infância, como por exemplo: quando por apanhar um tomate verde na horta, o pai a arrastou pelos cabelos até um dos quartos da casa, lhe bateu e a deixou durante um longo período de tempo voltada para a parede e com um saco na cabeça; quando às escondidas assistiu a um parto da sua mãe e o recém nascido, por ser rapariga, foi sufocado pela sua própria mãe, ficando deste modo a saber o que tinha a sua mãe feito a outros bebés que Souad nunca tinha conhecido e não fazia ideia de onde eles estariam; como era obrigada a fazer todos os trabalhos domésticos e do campo, sem descanso e sem margem para erro, pois se isso acontece seu pai lhe batia até sangrar; como invejava as raparigas da cidade, que Souad observava quando até lá ia com o seu pai, por estas puderem usar roupas coloridas nas quais mostravam as suas pernas, os braços…enquanto ela nem os cabelos podia mostrar, apenas os olhos e estes nunca poderiam olhar frontalmente um homem.
Por causa de tudo isto o maior desejo de Souad era sair da casa dos seus pais. O único modo de isso acontecer era o casamento. Mas para que isso acontecesse era necessário que algum homem falasse com o seu pai, se mostrasse interessado em Souad e oferecesse aos seus pais ouro e, o mais importante, que as suas irmãs mais velhas estivessem todas casadas o que não correspondia á realidade uma vez que Souad tinha uma irmã mais velha ainda solteira.
Souad assistiu ao casamento de uma das suas irmãs: esta só conheceu o seu marido no dia do casamento e depois da cerimonia os convidados do casamento foram para janela da casa onde os noivos iriam morar e esperaram que o noivo mostrasse o lençol á janela do seu quarto com sangue para provar que a sua mulher era virgem.
Por volta dos 15 anos Souad começou a reparar num rapaz que morava no outro lado da rua, quase em frente a sua casa. Apaixonou se por ele. Um dia, ao ir por as ovelhas no campo, passou por ele e olhou-o directamente, mesmo sabendo que não o podia fazer. Apercebendo-se do que passava, algum tempo depois esse rapaz foi ter com ela. Os primeiros encontros foram rápidos porque Souad não queria ser apanhada pelo pai e porque não queria que o rapaz pensasse que ela não era séria. Mas um dia o rapaz pus a mão na perna de Souad e esta afastou-a. Ele disse-lhe que ela não o amava e Souad com medo de o perder deixou-o voltar a colocar mão e ele, aproveitando-se da sua fragilidade, tirou-lhe a virgindade. Pouco tempo depois o pior aconteceu: as regras não apareceram e Souad desconfiou que estivesse grávida. Foi falar com o rapaz mas este mentiu-lhe: disse-lhe que iria falar com os seus pais mas nunca o fez e fugiu. Com medo do seu pai, Souad atirou-se contra muros, bateu com pedras na barriga para que as regras aparecessem mas isso não aconteceu. Quando seu pai começou a desconfiar Souad cortou-se e fingiu que aquele sangue era do seu período. Mas isso não resultou por muito mais tempo: o seu pai começou a ter a certeza que Souad estava grávida e isso seria uma grande vergonha para a família e preferia ver a sua filha morta á desonra da sua família. Souad ouviu seu pai a falar com o marido da sua irmã e apercebeu-se que estavam a combinar como executa-la. Ela ficou assustada mas tinha esperança que tivesse percebido mal. Mas no dia seguinte os pais saíram e levaram a sua irmã. Souad ficou sozinha. Quando viu o seu cunhado entrar e sorrir-lhe maldosamente Souad baixou a cabeça com vergonha pois ele sabia a sua situação. De repente sentiu algo frio a correr-lhe pelas costas e segundos depois muito quente. Estava a arder. Por ordem do seu pai, o seu cunhado ateou-lhe fogo. Souad começou a correr e a gritar, saltou os muros da sua casa e umas mulheres que a viram na rua, com pena atiraram-na para um lago. Quando acordou Souad estava no hospital. Tinha o queixo colado ao peito. A sua mãe foi ao hospital mas não para a conformar: foi lhe oferecer um copo com veneno dizendo-lhe que era o melhor que esta tinha a fazer. Um dia Souad sentiu como que uma facada na barriga: o seu filho nasceu. No entanto levaram-no logo e ela não o viu. No hospital tratavam-na mal pois sabiam da sua situação. Mas felizmente uma mulher chamada Jackline, ao saber da sua situação quis ajudá-la. Dizendo aos seus pais que ia levar Souad para longe, de modo a que estes não passassem mais vergonha, pois esta era a única maneira de os convencer a autorizar que Souad saísse do país, e depois de procurar o filho dela levou-os para a Suiça. Fizeram-lhe operações plásticas e Souad ficou com a face como anteriormente embora o resto do corpo se mantivesse igual. O início foi difícil porque a cultura era muito diferente da sua terra. Começou a trabalhar na casa de um casal que ajudava crianças. Souad tinha apenas 16 anos. Como se sentia incapaz de criar o seu filho, Souad deixou que o casal a adoptasse e saiu daquela casa para conseguir reconstruir a sua vida. Aprendeu a trabalhar com computadores e conseguiu um emprego fixo. Um dia reparou num homem que vivia também do outro lado da rua mas tinha medo de ser rejeitada pois as suas queimaduras eram perturbantes. Mas conheceu-o e contou-lhe toda a sua história. Ele chamava-se António. Passado algum tempo casaram-se. Souad vivia sempre com medo que ele a deixasse de amar e a abandona-se como já lhe tinham feito. Passaram-se alguns anos. Souad teve duas filhas mas nunca mais falou com o seu filho. Quando achou ser altura certa contou-lhes a sua história. Elas ficaram revoltadas com quem tinha feito mal á sua mãe. Um dia achou que devia ter coragem de conhecer o seu filho mas este antecipou-se e telefonou-lhe e marcaram um encontro no dia seguinte. Souad contou-lhe toda a sua história. O filho ficou também revoltado e perdoou a sua mãe por esta não ter ficado com ele.
Trabalho realizado por:
Pedro Martins Nº: 23 T: 9º4
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