segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

um mistério no natal

Era dia de Natal e a aldeia estava cheia de alegria, como acontecia todos os anos por esta altura. Era uma aldeia com poucos habitantes, e a maior parte deles idosos. A aldeia tinha muito pouco movimento, mas nas alturas festivas havia carros e crianças por todo o lado.
A aldeia era pequena, mas com um ar muito puro, rodeado de árvores e com enormes campos cobertos de flores e que nas alturas festivas era uma verdadeira diversão viver lá. Os familiares dos que nela habitavam passavam sempre lá as suas férias, todos juntos eram muita gente, como ainda eram descendentes das antigas famílias, muito numerosas, a aldeia ficava com muita gente nestas alturas.
As crianças corriam pelos campos verdes, pois adoravam o ambiente e o ar daquela aldeia, por ser tão puro e também porque estavam habituados a viver na cidade, onde não encontravam tanta liberdade como ali. Mas para o Carlos, para o João e para a Inês já nada era diferente, nem nada os entusiasmava tanto como aos primos ou amigos que lá passavam férias, eles moravam naquela aldeia e já conheciam a maioria dos caminhos e campos da aldeia. Gostavam muito da companhia dos que lá passavam férias, mas não gostavam tanto de correr pelos campos como eles, preferiam ficar a observar.
O Carlos e o João vestiam roupas muito idênticas, umas calças de ganga e um casaco de pêlos acinzentado, a Inês vestia um vestido castanho com umas meias vermelhas. Todos eles eram muito divertidos, mas o João era o mais medroso, tinha mais receio que os outros em várias coisas. Diziam - lhe até que parecia ser mais infantil.
Nesse dia ficaram sentados os três, debaixo de uma árvore a ver as brincadeiras das outras crianças que pouco mais novas eram que eles. Mas depressa se cansaram e foram dar uma volta pela aldeia, pela parte mais distante das casas, a mais desconhecida até pelos próprios habitantes. Eram muito curiosos e decidiram explorar a outra parte da aldeia, alguns habitantes diziam que era malicioso aquele lugar. Era uma aldeia calma mas que tinha sítios perigosos, até eram chamados por algumas pessoas «cantos escuros». Existiam mais do que um lugar assim, e decidiram parar para descansar, num grande muro de pedra. O Carlos sugeriu que fossem para o parque mais perto, pois estava muito cansado, e também porque era um parque bem assustador. O João como era muito medroso hesitou, mas depois pensou e concordou, a Inês também concordou logo, ela estava sempre pronta a acompanhar o Carlos. Tiveram um tempo parado a descansar, e a combinar o que iam fazer quando entrassem no parque. Levantaram - se e lá foram em direcção ao parque, muito contentes e entusiasmados por verem o lugar que diziam ser tão mau.
Entraram no parque e ficaram desapontados ao verem como aquilo se encontrava em ruínas, e por ser mesmo verdade o que diziam daquele lugar. Havia enormes matas, mal se conseguia passar, havia também duas casas muito arruinadas já sem tecto e muitas das paredes também já estavam caídas com várias plantas e ervas ruins á volta. O João ficou calado, mas a Inês disse com uma cara de quem ficara mesmo desapontado, que afinal era mesmo verdade, o Carlos muito baixinho também disse que sim.
Onde o parque se situava até era um sítio bonito se não estivesse tão arruinado, tirando as matas e as casas estarem completamente arruinadas, também lá havia grandes árvores, e belos sítios para reconstruir e fazer novos jardins. Depois de reflectirem bem sobre o que se depararam resolveram ir ver o outro lado do parque. Onde também encontraram uma grande mata e as casas em ruínas. Mas a parte de trás sempre estava com melhor apresentação, até havia uma parte que tinha uma grande porta de madeira.
Depois de terem dado as voltas todas ao parque, resolverem entrar pela aquela grande porta de madeira. A sugestão foi do Carlos, todos concordaram, pois estavam mesmo muito ansiosos por ver o que estava do outro lado daquela porta, era a única parte das casas que estava restaurada e não se via nada para dentro. Até o João estava bastante curioso.
Entraram e depararam - se com uma caixa. Abriram - na e encontraram um mapa e várias lanternas. Observaram - nas e comentaram há quanto tempo aquilo já estaria lá.
Mas como já era tarde decidiram guardar tudo o que encontraram, na mesma caixa, e ir para casa. Pois era dia de Natal e os familiares já deviam estar preocupados. Combinaram um novo encontro no dia seguinte junto a árvore do costume, onde costumam encontrar - se para irem brincar.
Quando chegaram a casa já tinham cada um, os seus familiares a espera, para começarem com os petiscos para o jantar. E claros para no fim abrirem os tão adorados presentes.
No dia seguinte, foram os três ter ao sítio combinado. O Carlos foi o primeiro a chegar, a seguir a Inês e por fim o João. Conversaram um pouco e depois foram em direcção ao parque.
Quando lá chegaram, foram directos á grande porta de madeira, e pegaram no mapa, para o visualizarem melhor, para conseguirem ver melhor saíram para fora da casa, pois aquela parte era fechada e não havia luzes. Ao começarem a ler perceberam que se tratava de um enigma que tinha de ser desvendado por quem o encontrasse primeiro. Ao fim de lerem o primeiro parágrafo a Inês virou - se para o João e para o Carlos e disse:
- Somos nós, mais ninguém o deve ter descoberto, pois se o tivessem visto teriam desvendado o enigma.
Ficaram um bocado pasmado ao início mas depois pensaram e resolveram mesmo continuar a ler todas as pistas para o conseguirem desvendar. Todos gostavam deste tipo de mistérios, até mesmo o João. Com o objectivo de encontrar e descobrir coisas novas.
Começou por ser o João a ler em voz alta. Enquanto ele lia o Carlos e a Inês escutavam e observavam o mapa com muita atenção. Até que chegou a uma parte que lhes despertou muito a atenção. Na terceira pista, ou informação que lá estava escrita dizia: «…depois de este enigma ser encontrado terá de ser desvendado o mais rápido que conseguirem. Porque pode ser encontrado por outra pessoa que nem conheça o enigma…
Já tenho a minha idade e sei que o mais provável é o meu enigma ser encontrado por crianças, eu também já o foi e sei que as crianças gostam destes sítios e que normalmente vem em grupos para sítios como este, por isso é que deixo uma carta para entregar aos pais de quem o encontrar. Não tenhas medo entrega, toda a gente me conhecia nesta aldeia, irão todos perceber o porquê deste enigma….segue todas as minhas pistas com atenção e lá chegarás…»
Depois de terem lido isto ficaram ainda mais entusiasmados e foram cada um mostrar a carta aos seus pais. Eles não podiam ver a carta, não sabiam do que se tratava, mas os pais depois de a lerem sabiam bem do que eles iriam encontrar e que era perfeitamente seguro os deixarem ir. Também dizia lá que voltariam num espaço mínimo de uma semana. Todos prepararam os seus odres, pois tinham que levar comida e água para se alimentarem em toda a viagem. Tiveram com a família e partiram um pouco depois do almoço.
Seguiram o mapa, em que dizia que tinham que caminhar cerca de sete horas até encontrarem um abrigo para passar a noite. Sabiam que tinham um longo caminho pela frente, por isso não pararam em lado nenhum antes de encontrarem um abrigo.
Depois de várias horas a caminhar avistaram um grande penedo com uma pedra pela frente a servir de porta. Pararam e o Carlos disse:
- Deve ser aqui, já caminhamos muitas horas e além disso já é noite, já não conseguimos andar muito mais e temos aqui um bom abrigo. O João e a Inês também concordaram dizendo ao mesmo tempo:
- Tens toda a razão Carlos.
Depois disto riram - se e foram para o abrigo que encontraram, estava estafados e cheios de fome. Mas antes de comer ainda deram uma olhadela ao mapa para verem o que iam ter que fazer no dia seguinte. Leram a pista seguinte e perceberam que o dia seguinte ia ser só caminhar, tinham um longo percurso pela frente. Comeram e aconchegaram - se uns aos outros para descansarem, dormirem.
De manhã acordaram cedo e puseram - se a caminho outra vez até encontrarem outro abrigo para ficarem a próxima noite. Caminharam cerca de doze horas e voltaram a encontrar outro abrigo mas desta vez era um tronco de árvore. Entraram, sentaram - se e ligaram as lanternas para verem a próxima pista do mapa. A Inês leu em voz alta:
«…e amanha irás encontrar um outro abrigo e aí mesmo nesse abrigo descobrirás e desvendarás o enigma.»
Depois desta leitura comeram e aconchegaram - se para descansarem, pois este dia foi ainda mais cansativo.
Essa noite passaram - na mais quentinhos, dormiram melhor, o tronco não era tão gelado como a pedra do outro abrigo em que tinham ficado.
No dia seguinte acordaram e partiram novamente, caminharam cerca de cinco horas e avistaram uma casa ainda mais arruinada que a outra em que tinham encontrado o mapa.
Sentaram - se ainda longe da casa e viram novamente o mapa, e comentaram entre os três o que seria o enigma. O João disse:
- Pelo que vejo no mapa acho que temos que entrar pela primeira porta.
A Inês também concordou dizendo:
- E melhor arriscarmos, pois o mapa trouxe - nos até aqui por isso mais vale entrar.
Arrumaram o mapa e foram em direcção a primeira porta, onde encontraram uma caixa igual á outra, mas desta vez com uma pequena chave dentro.
Voltaram a tirar o mapa e o Carlos leu: «…metade do vosso trabalho está resolvido agora tem que caminhar mais um pouco sensivelmente duas horas, para finalmente desvendarem o enigma... vá ponham - se a caminho!
Depois do Carlos ter acabado de ler puseram - se a caminho. Chegaram ainda antes de anoitecer.
Encontraram uma outra casinha, mas esta não estava arruinada, muito pelo contrário era de madeira e muito pequenina. Tinha uma porta com uma fechadura muito pequena também. Pararam á porta e o João disse:
- Supostamente esta fechadura e da chave que encontramos!
A Inês acenou com a cabeça, dizendo que sim. O Carlos abriu a mochila e tirou a chave metendo - a na fechadura. Abriu a porta e depararam - se com várias caixas, todas elas fechadas, excepto uma que tinha um embrulho juntamente com uma carta. A Inês abriu o embrulho. Lá dentro tinha uma fotografia e uma chave, também muito pequenina. Enquanto os observavam o João lia a carta que dizia: «…o enigma já está quase descoberto. Essa fotografia sou eu, quase toda a gente da aldeia me conhecia. Descobri que tinha uma grave doença, e que tinha poucos dias de vida, só tive tempo de formar um enigma, para deixar os meus bens…apenas falta conclui - loa com essa pequena chave. Depois de o encontrarem façam o que quiserem com ele…»
Depois desta leitura juntos pegaram na pequena chave, e experimentaram - na em todas as caixas que lá tinha. Finalmente meteram numa que abriu, e tinha lá dentro doze barras de ouro.
Entusiasmados com o que encontraram disseram os três ao memo tempo:
- O nosso enigma e um tesouro…!
Ficaram muito contentes e excitadíssimos, resolveram ficar por lá naquela noite, para no dia seguinte terem forças suficientes para regressar a aldeia. Guardaram as barras de ouro nas mochilas, comeram e foram dormir.
Na manhã seguinte partiram para a aldeia. Nas duas noites que voltaram a ter de viagem, ficaram nos mesmos abrigos, em que tinham ficado antes de desvendar o enigma.
Chegaram á aldeia muito contentes e a tempo de passar o ano novo com a família. Contaram toda a história, cada um a sua família e todos conheciam o senhor que lhes tinha deixado as doze barras de ouro. Depois da festa do ano novo resolverão doar nove barras de ouro, e ficar cada um com uma, para ter uma recordação de uma boa aventura!



Carla costa 9º4

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