quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O rapto do Velho
Esta é a história de um rapaz chamado Ken de catorze anos que vivia no Pólo Norte. Ele vivia numa aldeia muito pacata cujo nome era Bolo-Rei. A sua família não era pobre mas também não era rica. Vivia entre as duas coisas. Ele vivia com os seus pais numa casa muito pequena até que, certo dia, dez dias antes do Natal (ou seja, 15 de Dezembro), quando um dos habitantes se dirigia à casa do Pai Natal viu que ele estava a ser raptado no seu trenó. Quando o resto dos habitantes da aldeia ficou a saber desta tragédia entraram todos em pânico visto que a maior parte dos habitantes vivia do turismo e o Pai Natal era a sua maior atracção. Tiveram de convocar uma reunião na praça central da aldeia para tentar acalmar os habitantes. A ideia era os aldeões fazerem as suas perguntas e o assistente do Pai Natal iria responder às perguntas.
- “Onde é que está o Pai Natal?” – pergunta um dos habitantes.
- “Neste momento ainda não podemos responder a essa pergunta visto que desconhecemos o seu paradeiro, mas já colocámos as autoridades competentes (ou seja, os Gnomos de Jardim) a tratar do assunto.”.
- “Suspeitam de alguém?” – pergunta um dos jornalistas.
- “Suspeitamos que alguém da Ilha da Páscoa esteja envolvido.”.
Era bem possível que isso pudesse ter acontecido. A Ilha da Páscoa perdeu metade dos seus habitantes que decidiram começar a passar as suas férias no Pólo Norte, por isso o Coelho da Páscoa era um dos grandes suspeitos.
Nos dois dias seguintes, a família do Ken já estava a ir à falência devido aos preços terem aumentado à velocidade da luz.
Na casa do Pai Natal encontravam-se reunidos a Mãe Natal, o assistente do Pai Natal, a rena Rodolfo (foi a única a escapar-se do rapto), alguns Duendes e o presidente do Pólo Norte juntamente com o chefe dos Gnomos de Jardim.
- “Têm de o encontrar.” – Diz a Mãe Natal.
- “Faremos todo o que está ao nosso alcance, não se preocupe.” – Diz o chefe dos Gnomos de Jardim, tentando acalmar a Mãe Natal.
- “Temos de o encontrar antes do Natal, ele e as renas. Coitada da minha Rodolfa.” – Diz o Rodolfo a chorar (“snif, snif”).
- “Para isso precisamos de ajuda extra. Temos de começar a recrutar novas pessoas para formar um exército, a Guarda do Velho Mais Famoso do Mundo Também Tratado por Pai Natal e São Nicolau ou, simplesmente, a Guarda do Velho.” – Diz o chefe dos Gnomos de Jardim.
No dia seguinte começaram a afixar cartazes a pedir ajuda aos habitantes. No cartaz pediam a quem quisesse ajudar o Pai Natal que comparecesse na praça central às quatro horas da tarde. Quando o Ken viu o cartaz decidiu ir a correr para casa perguntar aos pais se podia ir.
- “O quê! Não, é que nem penses. Tu lembras-te do que aconteceu a esta família à seis anos atrás. O teu irmão morreu numa destas guardas. Eu e a tua mãe não te deixamos ir.”
- “Mas pai, eu…”
- “Não à mas nem meio mas, vai já para o teu quarto.”
O Ken acabou por obedecer. Já sabia que não ia conseguir que o seu pai o deixasse ir para a Guarda do Velho por isso teria de infringir as regras. Fechou a porta do seu quarto à chave, abriu a sua janela muito devagarinho para não causar nenhum ruído e saiu do seu quarto. Agora já ninguém o impediria.
Quando chegou á praça central viu que estava tudo muito vago. Não havia muitas pessoas a passarem por ali. – “Olhe, desculpe, sabe se já acabou a reunião para a Guarda do Velho?” pergunta o Ken a um senhor que estava por ali a passar. – “Ainda falta cerca de meia hora para começar.” Respondeu o senhor. Ele ficou espantado por ter tido esta resposta. Estava à espera de uma maior adesão por parte do povo para a Guarda do Velho mas afinal parecia que apenas ele tinha a coragem suficiente para participar. Mais do que tudo esperava que aparece alguém. Afinal, não iria ser ele sozinho a recuperar o Pai Natal.
Pouco tempo antes de começar a reunião, começou-se a ver algumas pessoas interessadas a aproximarem-se. Viu chegar três rapazes e uma rapariga. Às quatro da tarde já estavam todos os interessados sentados e de olhos postos no presidente.
- “Meus jovens, estão aqui presentes para se juntarem à Guarda do Velho com plena consciência dos riscos que irão correr, não é verdade?” – Pergunta o presidente ao que todos responderam “sim, senhor”.
- “Pois muito bem, era só para ter a certeza de que todos sabiam onde se estavam a meter. E já agora podem responder apenas com sim e não que o senhor está lá no Céu e não quer ser incomodado. Estou a contar cinco pessoas nesta praça, e, para ser sincero, estava á espera de uma menor adesão, depois da guerra que matou milhares de pessoas desta aldeia. A vossa missão, como já devem saber, é encontrar e resgatar o Pai Natal do seu raptor. A nossa última pista é o seu trenó que foi encontrado despenhado nos Bosques Negros. Como sabem, os Bosques Negros são muito perigosos e quem por lá se aventura corre o risco de nunca mais voltar. É claro que irão levar algum equipamento para a vossa missão. Para se deslocarem terão de ir de trenó. Mas apenas até á entrada dos Bosques Mágicos, visto que a magia que aí é muito poderosa e poderia causar a vossa morte. O restante percurso terá de ser feito a pé e aí estarão entregues à vossa sorte. Obrigado pela vossa preciosa ajuda.”
Depois da reunião, o Ken decidiu ir ter com o resto do grupo.
- “Olá, eu sou o Ken e tenho catorze anos.” – Dirigindo-se ao pequeno grupo.
- “Olá, eu sou a Franny e tenho dezasseis anos.” – Disse a rapariga. Ela era alta, de cabelos castanhos e lisos e os seus olhos eram castanhos.
- “Eu sou o Jack e tenho dezasseis anos.” – Disse um rapaz. Ele tinha cabelos pretos, era alto e tinha olhos castanhos.
- “Eu sou o Kayne e este é o Kayser e temos quinze anos.” – Eram dois irmãos gémeos. O Kayne era alto, tinha cabelos e olhos castanhos e a única diferença entre os dois eram os olhos do Kayser que eram verdes.
- “Aproximem-se para receber as vossas armas. O processo é simples; ponham uma mão dentro deste caldeirão que ele encarregar-se-á de vos atribuir a vossa arma, apenas uma mão.” – Disse o presidente. Um a um eles tiraram uma arma. Primeiro foi o Jack que tirou uma espingarda. Depois foi a vez do Kayne e do Kayser que tiraram uma lança cada um. Quando foi a vez do Ken ficaram todos espantados com o que ele tirou. Eram duas espadas negras que na junção do punhal com a lâmina tinha esculpida a cabeça de um dragão com a boca aberta para a lâmina que por sua vez tinha desenhado um outro dragão dourado a todo o comprimento. Depois foi a vez da Franny, a qual pôs as duas mãos lá dentro. Quando o Jack a ia avisar que não o podia fazer, o presidente disse: «A Franny é um caso especial e tem o direito de tirar duas armas diferentes.». Quando tirou as duas mãos ela tinha um arco e flechas na mão esquerda e duas Katanas na mão direita. Para além disso ainda lhes foi oferecido uma mochila com uma adaga para cada um, vários livros, poções para o caso de sofrerem um ataque, e, debaixo de toda aquela tralha encontrava-se o que parecia ser um vestido branco mas ninguém teve tempo de ver muito bem o que era nem de fazer perguntas sobre o misterioso objecto. «Eu levo a mochila» disse a Franny.
Quinze minutos depois, estavam todos no trenó pronto a partir. Duas horas depois da partida já tinham chegado ao seu primeiro destino. Tinham parado mesmo em frente dos Bosques Encantados mas já era noite.
- “ O melhor é acamparmos aqui até de manha” disse o Jack. Dito isto começaram todos a montar a tenda. Depois, o Kayne e o Kayser foram buscar lenha enquanto a Franny ia lendo um livro.
- “Franny, não importas-te se eu levar a mochila para distribuir as adagas?” – Perguntou o Jack.
- “Não te preocupes, eu sou capaz de fazer isso. Espera que o Kayne e o Kayser voltem.” – Disse a Franny. Depois disso ele voltou para trás e foi juntar-se ao Ken. Ele percebeu que o Jack queria descobrir o que é que estava naquela mochila e o porquê de toda aquela protecção por parte da Franny.
- “Ela vai ter de deixar a mochila mais cedo ou mais tarde. Eu vou descobrir o que está lá dentro ainda hoje.” – Disse o Jack.
- “Porque é que tu queres ver o que está lá dentro? Talvez não seja nada de importante.”
- “E é por isso que ela insiste em ser apenas ela a ficar com a mochila? Viste alguma coisa dentro que não devesse estar ali? Algum objecto anormal?” – Perguntou o Jack.
- “Acho que vi uma…” – No momento em que ele o ia dizer apareceram o Kayne e o Kayser carregados de lenha.
- “Como é que agora vamos fazer uma fogueira? Alguém tem…” – Perguntou Kayne.
- “Flame.” – Enquanto que eles perguntavam como é que poderiam atear fogo, já a Franny tinha apontado uma mão ao monte de lenha e lançado um feitiço. Ficaram todos boquiabertos com aquela proeza. Bastou meia hora de leitura e já sabia um feitiço.
Depois de terem comido foi cada um para a sua tenda e o Jack esqueceu-se de verificar que misterioso objecto estava na mochila.
No dia seguinte começaram a caminhada pelos Bosques Encantados sempre a olharem para todo o lado à espera de um ataque surpresa. Foi preciso percorrer metade da floresta para aparecer uma criatura mágica que não fosse um vulto. Era um Unicórnio. Estavam todos a pensar o que deveriam fazer quando a Franny avançou para ele e o acariciou.
- “Os Unicórnios não fazem mal a ninguém. Além disso, podem levar-nos mais rapidamente daqui para fora.” Assim que disse isto começaram todos à procura de um. Foi preciso uma hora para encontrarem Unicórnios para todos. Como já era noite tiveram de voltar a montar as tendas e, quando o Kayser e o Kayne se estavam a preparar para ir outra vez em busca de lenha, o Jack levantou-se e disse:
- “Não se preocupem, vocês foram ontem, hoje sou eu e o Ken. Não é Ken?”
- “Eu?! Ah, pois, eu.” – Disse o Ken que se apressou a emendar a sua frase assim que viu o olhar ameaçador que o Jack lhe estava a fazer.
Pouco depois de terem começado a procurar lenha, o Jack disse:
- “Eu ontem decidi não verificar o que estava na mochila, mas hoje eu vou descobrir o que lá está. Ajudas-me? Tu só precisas de distrair a Franny.”
- “Esquece, eu não te ajudo. Pode ser um mero objecto pessoal que ela não quer que seja visto.” – Disse o Ken.
- “Ontem, antes de termos sido interrompidos, tu ias disser que tinhas visto algo”?
- “Oh, pois, não têm importância.” – Dito isto, a Franny apareceu por trás do Jack e disse-lhe:
- “Há alguma coisa que tu me queiras perguntar? Sobre o que está na mochila?”
- “Não, eu não quero perguntar nada, estava apenas a falar com o Ken. Ken, vens comigo para o acampamento?” – Perguntou o Jack.
- “Eu gostava de falar com o Ken, primeiro.” – Disse a Franny. Dito isto o Jack foi embora deixando-os sozinhos.
- “O que é que ele te estava a perguntar? Era sobre a mochila, não era?”
- “Era. Mas ele apenas perguntou se eu vi algo de estranho lá dentro.” – Disse o Ken.
- “E viste alguma coisa?” – Perguntou a Franny. – “Diz a verdade.”
- “Bem eu acho que vi uma armadura, mas não estou a ver para quê?” – Disse o Ken.
- “Depois descobrirás.” – Disse a Franny voltando para o acampamento.
No dia seguinte conseguiram sair dos Bosques Encantados e percorrer metade dos Bosques Negros. Quando pararam, para descansar, começaram a ouvir um barulho vindo dos arbustos. Todos se levantaram e pegaram nas armas. De repente, de um dos arbustos saltou uma rapariga alta, de olhos azuis, de cabelo loiro mas que tinha uma pequena diferença: era metade humana, metade gata. Na verdade, isso apenas a tornava mais esbelta, tinha umas orelhas e uma cauda de gato bem como as suas unhas que eram brancas e um bocado maiores. Parecia que tinha acabado de sair de uma guerra, com as roupas todas sujas.
- “Irmã, estás bem?” – Disse a Franny. Ficaram todos espantados quando a Franny disse aquilo. Irmã? Então era aquele o mistério. Ele tinha visto mesmo um vestido na mochila. O que a irmã da Franny usava era um vestido com uma armadura para se proteger. Pouco tempo depois de terem encontrado a irmã da Franny, do mesmo arbusto de onde saíra, saltou um Unicórnio com três cornos:
- “É um Tricórnio. A única maneira dele ser morto é partindo os seus três cornos. É muito mais poderoso que o Unicórnio.” – Disse a Franny sobressaltada. Dito isto começaram todos a correr para os seus Unicórnios. Enquanto a Franny levava a sua irmã para o seu Unicórnio, o Ken distraí-a o Tricórnio. Ele estava a tentar partir os cornos dele mas não conseguia até que, numa das investidas do Tricórnio, ele pôs as suas espadas à sua frente para se proteger. Feito isto, as suas espadas começaram a brilhar e, quando ele saiu da posição de defesa, viu que o Unicórnio tinha um corno partido e, ao que parecia, também se tinha ferido nas duas patas da frente. Quando olhou para as espadas viu que elas estavam cobertas por chamas na parte das lâminas.
Depois disso foi ajudar a Franny e começaram a correr dali para fora.
Quando o Tricórnio parou de os perseguir a Franny tirou uma poção da mochila juntamente com uma armadura. Finalmente puderam vê-la: eram de um branco imaculado que, que a tornava ainda mais esbelta do que aquilo que já era. Ela usaria o arco que a irmã lhe trouxera. Ficaram ainda a saber que o nome da irmã da Franny era Krystal, que tinha dezasseis anos e que ela pertencia à raça das Nature-Heart.
Pouco tempo depois de continuarem a cavalgar já estavam num castelo de onde ouviram um grito:
- “SOCORRO, AJUDEM-ME.” – Era a voz do Pai Natal. Finalmente tinham-no encontrado. Mas depois as suas faces perderam qualquer esperança que tinham. Na torre onde estava o Pai Natal encontrava-se gravado o símbolo da Morte. Mesmo assim entraram na e logo que o fizeram apareceu-lhes pela frente a Morte. Esta estava com uma capa negra, envolvido numa névoa negra que não deixava ver nada da cintura para baixo e tinha as suas duas ceifas em cada uma das mãos. Mal tiveram tempo para a ver quando, de repente, ela desapareceu e teletransportou-se para o quarto onde estava o Pai Natal. Todos pegaram na respectiva arma e começaram a correr pelas escadas até ao topo da torre. Quando lá chegaram, a Morte encontrava-se mesmo em frente à porta onde estava o Pai Natal por isso, tiveram de criar um plano: todos iriam distrair a Morte enquanto que o Kayser e o Kayne iriam abrir a porta e resgatar o Pai Natal. Como os gémeos nunca mais a abriam, a Krystal agarrou numa flecha à qual lançou um feitiço, apontou-a à porta e largou-a. Assim que ela entrou em contacto com a porta, rebentou-a por completo. Quando a Morte se dirigiu para a Krystal, o Ken agarrou nas suas duas espadas, que se voltaram a incendiar, apontou-as à Morte e com um golpe certeiro deixou a Morte com uma espada espetada em cada ombro contra a parede. Mesmo assim tinham pouco tempo para tirar o Pai Natal da torre e ainda menos tempo para agradecimentos. Foram todos libertar o Pai Natal e, assim que ele pôs cada Unicórnio a voar, foram trocar as espadas do Ken por três flechas encantadas em cada ombro da Morte que, à ordem da Krystal, iriam explodir. Quando já estavam bastante longe da torre, a Krystal ordenou a explosão das flechas que provocou uma enorme explosão na torre.
Quando regressaram ao Pólo Norte com o Pai Natal e a Krystal receberam uma grande homenagem, puderam passar a ter aulas com o mago mais famoso do mundo, Merlin e a Guarda do Velho não foi desfeita, o que significa que continuaram juntos para defenderem o Pólo Norte.

Fim

João Cerqueira
Nº15
9º4

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